Deixo o link de uma matéria da UFOP sobre as doenças de punho e mão que contém várias informações em relação à tratamento cirúrgico, ao quadro clínico das doenças e testes que podem ser realizados:
A criação deste blog tem como objetivo tornar acessível a maior quantidade de informação para o profissional Fisioterapeuta, em especial à área da Fisioterapia Neurológica. Contribuindo com textos, artigos, vídeos e relatos de experiência prática, a fim de contribuir e facilitar o dia a dia do estudante e do profissional. É bem vinda qualquer sugestão, compartilhamento de novos materiais, elogios e críticas para podermos melhorar cada vez mais. Sejam bem vindos ao FisioIdeias.
sexta-feira, 15 de julho de 2016
quarta-feira, 6 de julho de 2016
Receptores Encapsulados
Segue uma rápida caracterização das terminações nervosas encapsuladas mais importantes para a neuroanatomia funcional:
a) Corpúsculos de Meissner — ocorrem nas papilas dérmicas, principalmente nas da pele espessa das mãos e dos pés. São receptores de tato e pressão;
b) Corpúsculos de Ruffini — ocorrem nas papilas dérmicas tanto da pele espessa das mãos e dos pés como na pele pilosa do restante do corpo. Durante muito tempo acreditou-se que seriam sensíveis ao calor. Sabe-se hoje que são receptores de tato e pressão;
c) Corpúsculos de Water-Paccini — têm distribuição muito ampla, ocorrendo principalmente no tecido celular subcutâneo das mãos e dos pés ou mesmo em territórios mais profundos, como nos septos intermusculares e no periósteo. Durante muito tempo acreditou-se que os corpúsculos de Paccini seriam receptores relacionados com a percepção de pressão. Sabe-se hoje que são responsáveis pela sensibilidade vibratória, ou seja, a capacidade de perceber estímulos mecânicos rápidos e repetitivos;
d) Fusos neuromusculares — são pequenas estruturas em forma de fuso situadas nos ventres dos músculos esfriados esqueléticos, dispondo-se paralelamente com as fibras destes músculos (fibras extrafusais). Cada fuso é consumido de uma cápsula conjuntiva que envolve de duas a dez pequenas fibras estriadas denominadas fibras intrafusais.
e) Órgãos neurotendinosos (de Golgi) — são receptores encontrados na junção dos músculos esfriados com seu tendão. Consistem de fascículos tendinosos cm torno dos quais se enrolam as fibras nervosas aferentes, sendo o conjunto envolvido por uma cápsula conjuntiva São ativados pelo estiramento do tendão, o que ocorre tanto quando há tração passiva do músculo, por exemplo, por ação da gravidade, como nos casos em que o músculo se contrai. Nisso eles diferem dos fusos neuromusculares, que tendem a ser desativados durante a contração muscular. Outra diferença é que os órgãos neurotendinosos são desprovidos de inervação gama. Os órgãos neurotendinosos informam o sistema nervoso central da tensão exercida pelos músculos em suas inserções tendinosas no osso e permitem assim uma avaliação da força muscular que está sendo exercida.
Referência: MACHADO, Angelo. Neuroanatomia Funcional. 2ªed; São Paulo. Atheneu.
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Fibromialgia
Hoje, gostaria de compartilhar com vocês uma cartilha bastante informativa da Sociedade Brasileira de Reumatologia a respeito desta síndrome clínica que se manifesta através de dores crônicas em todo o corpo, a FIBROMIALGIA. Clique aqui para ler a cartilha!!!
Na última sexta-feira (27) foi publicado no site Daily Health Record (opção da matéria em inglês) que a causadora dos sintomas da fibromialgia foi finalmente descoberta!!! Segundo o site, os cientistas descobriram que as dores estão associadas a uma estrutura chamada de derivações arteríola-vênula, que é propriamente uma derivação das arteríolas e vênulas existente na região das mãos e pés. Essa derivação arteríola-vênula é uma ponte de ligação entre a arteríola e a vênula e tem a função de regular o fluxo sanguíneo, entretanto, os cientistas relatam que a má administração desse fluxo pode estar associada às dores da fibromialgia, devido ao acúmulo de pequenos níveis de ácido lático nos músculos desses pacientes! Interessados também podem ler a matéria publicada no site da Science20.
Imagem - derivação arteríola-vênula (shunt)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
Filogênese do Sistema Nervoso
Sabe-se que os seres vivos, mesmo os mais primitivos, devem continuamente se ajustar ao meio ambiente para sobreviver. Para isso existem três propriedades essenciais no protoplasma: Irritabilidade, condutibilidade e contratilidade.
A irritabilidade é a capacidade de reconhecimento de um estímulo externo, a célula, portanto, é sensível a estímulos impostos a ela e reage a tal com uma resposta. Sabe-se que uma célula é sensível a um estímulo
quando ela reage a este estímulo, por
exemplo, dando origem a um impulso que é
conduzido através do protoplasma (condutibilidade).
Condutibilidade é forma que a célula têm de conduzir o estímulo recebido para as outras células, em geral para células musculares ou glândulas.
A contratilidade já é a resposta ao estímulo que chega, a célula se contrai em um ou mais segmentos como resposta ao estímulo recebido, geralmente visando fugir de um estímulo nocivo.
Um organismo unicelular, como a ameba, possui todas as propriedades do protoplasma, e quando ela é estimulada com uma agulha de micromanipulador é possível observar que ela se afasta lentamente do ponto onde foi tocada, ela é sensível à informação e reage contraindo a célula de um lado e criando pseudópodes do outro de um modo bem rudimentar. Alguns seres mais complicados como a esponja, especializa suas propriedades, parte, superficial, do citoplasma da célula é especializada em irritabilidade e condutibilidade, enquanto outra especializa-se na contração da célula. Células musculares primitivas, da esponja, localizam-se superficialmente em seus orifícios, onde absorvem a água que por sua vez contém substâncias irritantes que a célula detecta e responde contraindo a célula. Com o surgimento de metazoários mais complicados, essas células musculares passaram a ocupar uma posição mais profunda na célula, perdendo o contato com o meio externo. Surgiram, então, na superfície, células especializadas em receber os estímulos externos e então transmitem às células musculares adjacentes. Estas células especializadas em irritabilidade e condutibilidade foram os primeiros neurônios que provavelmente surgiram nos celenterados. Na extremidade desta célula desenvolve-se uma formação especial denominada receptor.
O receptor transforma vários tipos de estímulos, sejam físicos ou químicos em impulsos nervosos que podem ser transmitidos a um órgão efetuador: músculo ou glândula. Receptores muito mais complexos foram surgindo com o decorrer da evolução, para estímulos mais variados.
Em algumas partes do corpo de celenterados existe uma rede de fibras nervosas formadas principalmente por ramificações dos neurônios da superfície, permitindo difusão dos impulsos nervosos em várias direções. Já em platelmintos e anelídeos esse sistema nervoso difuso foi substituído por no qual os elementos nervosos tendem a se agrupar em um sistema nervoso central (centralização do sistema nervoso).
No epitélio de animais da classe dos anelídeos existem neurônios que por meio dos seus axônios se ligam a outros neurônios cujos corpos estão situados no gânglio, que por sua vez possuem um axônio que faz conexão com os músculos (arco reflexo simples). O primeiro neurônio citado é o que recebe a informação do meio externo, ele é localizado superficialmente. Como ele é responsável por receber os estímulos, foi denominado como neurônio aferente. Este neurônio aferente transmite, através do seu axônio, um impulso elétrico ao corpo celular do segundo neurônio, este é responsável por conduzir o impulso ao músculo que vai gerar uma contração como resposta. Este neurônio foi denominado eferente, pois é este que é responsável por efetuar uma ação. O neurônio aferente é também conhecido como neurônio sensitivo, e o neurônio eferente como neurônio motor.
A interação dos dois neurônios citados acima gera um arco reflexo que permite com que o segmento do animal se desvie de um estímulo nocivo por exemplo, porém este arco reflexo é intra-segmentar, pois ocorre apenas em um segmento, este animal possui vários segmentos (ex: minhoca) e para que os outro segmentos sejam também estimulados existe um terceiro neurônio denominado neurônio de associação que é responsável por fazer a ligação entre o neurônio motor de outro segmento. Temos, então, um arco reflexo inter-segmentar. Figura arco reflexo inter-segmentar de parte de um animal segmentado:
Nos vertebrados, como no homem, temos o reflexo inter-segmentar e além disso também encontramos reflexos simples, como o reflexo patelar.
Os três neurônios citados sofreram algumas mudanças com a evolução.
O neurônio sensitivo que estava inicialmente na superfície, sofreu mudança com o surgimento dos metazoários mais complexos que criaram um meio interno, eles começaram então, a levar informações desse meio interno para o sistema nervoso central e além disso eles passaram a se localizar mais no interior em moluscos e vertebrados diferentemente dos anelídeos. Portanto, durante a filogênese, o corpo do neurônio sensitivo apresentou uma tendência de centralização. Desta forma é mais vantajoso para a célula nervosa, pois o axônio pode se regenerar diferente do corpo.
O corpo do neurônio motor surgiu dentro do sistema nervoso central e a maioria deles permaneceu nesta posição durante toda a evolução. Contudo, os neurônios motores que inervam os músculos lisos, músculos cardíacos ou glândulas têm seus corpos fora do sistema nervoso central. Estes neurônios pertencem ao sistema nervoso autônomo e são estudados com o nome de neurônios pós-ganglionares. Já os neurônios motores que inervam músculos estriados esqueléticos têm seu corpo sempre dentro do sistema nervoso central (por exemplo, na coluna anterior da medula) e recebem vários nomes: neurônios motores primários, neurônios motores inferiores ou via motora final comum de Sherrington.
O aparecimento dos neurônios de associação trouxe um considerável aumento do número de sinapses, aumentando a complexidade do sistema nervoso e permitindo a realização de padrões de comportamento cada vez mais elaborados. O corpo do neurônio de associação permaneceu sempre dentro do sistema nervoso central e seu número aumentou muito durante a evolução. Muitos surgiram nas extremidades, como olhos, ouvidos, boca, e antenas, para melhor exploração do meio ambiente e alimentação.
Referência: Ângelo Machado. Neuroanatomia Funcional - 2ª ed.
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